quinta-feira, 27 de março de 2014

A IDADE DO FERRO





Poder-se-á dizer de todo o meu trabalho, cada escultura é um fotograma de um enorme filme que um dia se completará, ou não .
Não nasci para ser um mestre, mas para ser sempre um aprendiz, não trabalho para mim próprio, a arte como a concebo é quase um serviço para os outros. O que faço é construir uma escultura e um sítio para ela, tudo o resto deixo a quem vê.
Vale a pena ver exposições pelas quais é preciso lutar, obras de arte que não sejam fáceis, que não se ofereçam.
Na minha exposição, não vão entrar 300 mil pessoas ao fim de semana . A porta do meu trabalho é demasiado estreita para isso, mas não tem problema, porque a arte não é para todos.
As estratégias de popularização e massificação de arte convêm a quem quer manter um publico na ignorância.
Por vezes chega a ser uma imagem embaraçosa e grotesca, mas, o que podemos fazer numa sociedade que preza mais a quantidade do que a qualidade?
se tudo for cantabilizado pelo número de espectadores e as quantidades de dinheiro envolvidos, não estamos a falar de arte, mas de espetáculo, de sensacionalismo, de economia, de números, tal como o futebol ou na televisão.
Para mim, o , mais importante não é a quantidade de espectadores, basta haver um que seja tocado por uma obra de arte estará salva e poderá continuar a existir ...


RUI CHAVES
JL


terça-feira, 25 de março de 2014

JÁ É DIA




É uma benção poder, receber o prazer
de um bom livro, um excelente filme
um bom conselho, o nascer do dia
ou um simples " Bom dia " de um filho ...

Por vezes esgotamos as nossas energias
com batalhas infinitas, e desnecessárias
quando deveríamos concentrar esforços
para alcançar o bem, espiritual e físico ...

Quero com todas as minhas forças
caminhar para a luz, afastando de mim
e da minha família o pesadelo que é
temer o sorriso, a alegria de estar vivo ...

Pepedrópo

sexta-feira, 21 de março de 2014

ALTAS HORAS

Quando o mundo dorme eu ando aqui
a pensar como é bom estar vivo
a ouvir um grande blues é assim
a malucos para todas as festas
esta é a minha...
Adoro ver a minha família a dormir
e sentir que eu estou a tomar conta;
O GUARDIÃO ...

terça-feira, 11 de março de 2014

SÓ CONSIGO DIZER OBRIGADO

https://www.youtube.com/watch?v=22mmq_okXoA

Adoro quando a vida me oferece prendas; Fico sempre com grande dificuldade perante
a convivência com ARTE boa MUITO BOA, qualquer que seja a sua natureza ...
Quando vejo um filme como:
August osage County
Lembro-me porque gosto tanto de cinema, adoro ser mexido por dentro,
chorar, rir, alto de forma expontânea, estando nas tintas para quem está ao lado
a enviar SMS, gosto de sentir que é bom estar vivo, e que viver não é 
pera doce, mas que a alegria da viagem é navegar em mar agitado, 
com receios, mas sempre com o objectivo de chegar a porto seguro, 
mais não seja que temporariamente ...
Adorei o filme porque fala de NÓS PESSOAS sem o brilho da perfeição 
dos contos de fadas, ou a agitação dos filmes de acção ...
Sou mais feliz por isso ...



Álbum de Família (2013) Poster
   

sábado, 1 de março de 2014

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Cortes já chegaram aos quadrúpedes

Portanto já sabem: são, no máximo, quatro animais por apartamento. E, atenção, cães, só dois; gatos é que podem ser quatro. Não, não podem ser três chihuahua, nenhum conta por gato, nem chamando Bichana ou Sissi ao terceiro. Enfim, os nossos governantes mostram que não estão desatentos às mudanças da sociedade portuguesa. Ontem havia que controlar as entradas dos estudantes nas universidades. Agora que a juventude se vai embora, a prioridade é o numerus clausus dos animais nos apartamentos. Se isto não é a reforma do Estado, o que é uma reforma do Estado?! Estamos, pois, perante uma legislação pensada e cirúrgica, embora desta vez dedicada só aos pequenos quadrúpedes. As carraças (oito patas) num fox terrier até podem ser 36, mas só conta o cão. Esse fox terrier e um labrador com pulgas (seis patas) também só contam como duas pessoas jurídicas, dois cães, portanto, dentro da norma. Porém, se o Bobi e a Laica tiverem uma ninhada, evidentemente os cachorros têm de sair da sua zona de conforto e emigrar para outro apartamento. As atuais e tão necessárias medidas devem ser consideradas somente as precursoras de um pacote que se estenderá em breve à cabra na banheira do 5.º direito e ao burro na varanda, símbolos da economia subterrânea que tem de ser combatida. Os peixinhos de aquário aguardam outra abordagem porque o direito marítimo, como se sabe, é muito específico. Caso bicudo vai ser com as lagartas: quando virarem borboletas herdam o precedente direito ao apartamento?


Ferreira Fernandes
ao DN

domingo, 23 de fevereiro de 2014

TOMÁS PEDREIRA



Parabéns meu filho, faz hoje seis anos que mudas-te a minha vida para sempre, és a minha força e quero muito estar lá SEMPRE para te proteger, amar, apaparicar, ensinar, aprender, caminhar ao teu lado nesta tua viagem que desejo que seja longa.
Gostava que algures na tua personalidade, que é forte e muito vincada, encontrasses um meio termo mais calmo, isto somente para poderes ser mais feliz, mas és livre de fazer as tuas escolhas eu quero e irei estar estar sempre para ti, meu BAZARUCA, se o meu amor por ti falasse irias perceber como é grande o sentimento que me une a ti ...
Que este dia se repita por muitos e felizes DIVERTE-TE

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

A REALIDADE

Existe o “Yes man”. Todos sabem quem é  e o mal que causa. Mas existe o "May be man". E poucos sabem quem é. Menos  ainda sabem o impacto desta espécie na vida nacional. Apresento aqui essa  criatura que todos, no final, reconhecerão como  familiar.
O "May be man" vive do “talvez”. Em  português, dever-se-ia chamar de “talvezeiro”. Devia tomar decisões. Não  toma. Sim­plesmente, toma indecisões. A decisão é um risco. E obriga a  agir. Um “talvez” não tem implicação nenhuma, é um híbrido entre o nada e  o vazio.
A diferença entre o "Yes man" e o "May be  man" não está apenas no “yes”. É que o “may be” é, ao mesmo tempo, um “may  be not”. Enquanto o "Yes man" aposta na bajulação de um chefe, o "May be man"  não aposta em nada nem em ninguém. Enquanto o primeiro suja a língua numa  bota, o outro engraxa tudo que seja bota  superior.
Sem chegar a ser chave para nada, o "May  be man" ocupa lugares chave no Estado. Foi-lhe dito para ser do partido.  Ele aceitou por conveniên­cia. Mas o "May be man" não é exactamente do  partido no Poder. O seu partido é o Poder. Assim, ele veste e despe cores  políticas conforme as marés. Porque o que ele é não vem da alma. Vem da  aparência. A mesma mão que hoje levanta uma bandeira, levantará outra  amanhã. E venderá as duas bandeiras, depois de amanhã. Afinal, a sua  ideolo­gia tem um só nome: o negócio. Como não tem muito para  negociar, como já se vendeu terra e ar, ele vende-se a si mesmo. E  vende-se em parcelas. Cada parcela chama-se “comissão”. Há quem lhe chame  de “luvas”. Os mais pequenos chamam-lhe de “gasosa”. Vivemos uma  na­ção muito gaseificada.
Governar não é, como muitos pensam,  tomar conta dos interesses de uma nação. Governar é, para o "May be Man",  uma oportunidade de negócios. De “business”, como convém hoje, dizer.  Curiosamente, o “talvezeiro” é um veemente crítico da corrupção. Mas  apenas, quando beneficia outros. A que lhe cai no colo é legítima,  patriótica e enqua­dra-se no combate contra a  pobreza.
Afinal, o "May be man" é mais cauteloso  que o andar do camaleão: aguarda pela opi­nião do chefe, mais ainda  pela opinião do chefe do chefe. Sem luz verde vinda dos céus, não há luz  nem verde para ninguém.
O "May be man" entendeu mal a máxima  cristã de “amar o próximo”. Porque ele ama o seguinte. Isto é, ama o  governo e o governante que vêm a seguir. Na senda de comércio de  oportunidades, ele já vendeu a mesma oportunidade ao sul-africano. Depois,  vendeu-a ao portu­guês, ao indiano. E está agora a vender ao chinês,  que ele imagina ser o “próximo”. É por isso que, para a lógica do  “talvezeiro” é trágico que surjam decisões. Porque elas matam o terreno do  eterno adiamento onde prospera o nosso indecidido  personagem.
O "May be man" descobriu uma área mais  rentável que a especulação financeira: a área do não deixar fazer. Ou numa  parábola mais recen­te: o não deixar. Há investimento à vista? Ele  complica até deixar de haver. Há projecto no fundo do túnel? Ele escurece  o final do túnel. Um pedido de uso de terra, ele argumenta que se perdeu a  papelada. Numa palavra, o "May be man" actua como polícia de trânsito  corrup­to: em nome da lei, assalta o  cidadão.
Eis a sua filosofia: a melhor maneira  de fazer política é estar fora da política. Melhor ainda: é ser político  sem política nenhuma. Nessa fluidez se afirma a sua competência: ele sai  dos princípios, esquece o que disse ontem, rasga o juramento do passado. E  a lei e o plano servem, quando confirmam os seus interesses. E os do  chefe. E, à cau­tela, os do chefe do  chefe.
O "May be man" aprendeu a prudência de  não dizer nada, não pensar nada e, sobretudo, não contrariar os poderosos.  Agradar ao dirigen­te: esse é o principal currículo. Afinal, o "May be  man" não tem ideia sobre nada: ele pensa com a cabeça do chefe, fala por  via do discurso do chefe. E assim o nosso amigo se acha apto para tudo.  Podem no­meá-lo para qualquer área: agricultura, pescas, exército,  saúde. Ele está à vontade em tudo, com esse conforto que apenas a  ignorância absoluta pode  conferir.
Apresentei, sem necessidade o "May be  man". Porque todos já sabíamos quem era. O nosso Estado está cheio deles,  do topo à base. Podíamos falar de uma elevada densidade humana. Na  realidade, porém, essa densidade não existe. Porque dentro do "May be man"  não há ninguém. O que significa que estamos pagando salários a fantasmas.  Uma for­tuna bem real paga mensalmente a fantasmas. Nenhum país, mesmo  rico, deitaria assim tanto dinheiro para o  vazio.
O "May be Man" é utilíssimo no país do  talvez e na economia do faz-de-conta. Para um país a sério não serve.


  Mia Couto

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

LUCAS O CÃO PRETO




Ontem, fiquei cilindrado com algo que assisti ...
Entro na minha carrinha para ir ao banco fazer um depósito, e vejo um cão pequeno com o seu dono a passear, logo depois vejo, o LUCAS o cão preto, de um amigo, e digo amigo porque não gosto de dizer conhecido, não sei o seu nome, mas sempre falamos, e quase sempre sobre cães ou musica, é amigo de um amigo meu, que tocou comigo nos UMMADJAM, já assistiu a vários concertos desta banda que tenho muitas saudades, bem já me estou a perder ...
Logo em seguida vejo o LUCAS a correr e iniciar uma luta com o outro cão, nada muito violento, dado ao tamanho dos envolvidos, mas o dono do cão pequeno assustado tentou separar, como pode, usando mais a tática do pontapé, que para mim quando os cão estão pegados não é o mais indicado, eu que tenho a mania de salvar O MUNDO este e o OUTRO, parei a minha carrinha e corri para ajudar, mas em plena corrida vejo o LUCAS A CAIR, quando chego ao pé dele está com a língua de fora a estrebuchar, o meu amigo apareceu entretanto, ficou em panico, desatou a chorar pensando que o cão tinha sido atropelado, eu expliquei o que se tinha passado, e disse que o melhor era ir o mais rápido ao veterinário;
Indiquei o mais perto, e para acalmar os donos em desespero, disse olha que eu ainda estou a sentir o coração do animal, mas estava muito fraquinho ...
Eles voaram para o veterinário eu não aguentei também fui, passados uns minutos apareceu o médico a dizer que o LUCAS tinha morrido, com um ataque cardíaco, fiquei mal muito mal, já para não falar do meu amigo, deixei os donos, porque nestas horas o luto é sempre uma coisa muito pessoal, eles agradeceram-me por tudo ...
O resto do meu dia não consegui esquecer o sucedido, cada vez mais penso que para morrer basta estar vivo, o LUCAS era amigo do meu ZORBA tenho pena do animal, não consigo ser indiferente, sem falar olhei para o ZORBA e disse: Olha meu lindo o LUCAS já foi, ficas-te com menos um amigo; Ele olhou para mim como se falasse e disse: Tenho pena era um bom companheiro ...
Vai com Deus LUCAS o cão preto.