sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

As tetas da alienação

testemunha ocular da miséria mental que é mistificar a tristeza
banal de viver a juntar tanta coisa vital para a vida vulgar
parecer divinal e com isso ocultar a pobreza real de um
gesticular reduzido a sinal não consigo calar a origem deste mal
que nos anda a atacar a todos por igual tudo assenta no consumo e
produção são as tetas desta nossa alienação trabalhar ou morrer
é-nos dado escolher o trabalho é direito transmutado em dever
não se pode morrer já lá diz o preceito e se formos a ver não há
nada a escolher para sobreviver o trabalho é foral não morrer
consumindo não se chama viver o consumo é o aval para se ir
produzindo e com seu acrescer fecha o ciclo infernal tudo
assenta no consumo e produção são as tetas desta nossa alienação
são as tetas o consumo e a produção são as tetas da nossa
alienação

MIKHAIL 1988-2014

Ontem fui abalroado por uma noticia que me tirou o chão, sem existência de tremor de terra, tinha várias chamadas no meu telémovel, e retribui a chamada, para meu espanto atendeu uma senhora, pelo sotaque pareceu-me de LESTE, a qual vim a descobrir que era mãe do MIKHAIL, um jovem que trabalhou para mim durante as suas férias da faculdade, a sua mãe confundiu o meu numero com de um colega de universidade, e deu-me a noticia assim, como uma bomba, ELE MORREU ...
Este jovem suicidou-se , não tive coragem de perguntar pormenores, mas fiquei sem palavras, na prática convivi com ele dois meses com um intervalo de um ano pelo meio, mas nesse espaço de tempo, deu para gostar deste individuo o suficiente para ficar triste com a sua perda, estremamento educado, trabalhador, terminou o liceu a universidade, trabalhou para pagar os estudos, tirar  a carta de condução, e outras coisas, nada faria prever este fim ...
A vida por vezes é madrasta, este desabafo é insignificante, mas não poderia deixar de o fazer, é o minimo que posso fazer em sua homenagem ...
A todos nós que aqui ficamos e estamos, cada vez mais acredito, que é importante aproveitar cada momento, pois amanha poderá não existir ...
MIKHAIL boa viagem ...

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

ABRIL NO MUNDO

Quando falamos de ABRIL importa sempre mais o dia de hoje do que qualquer efeméride
saudosista.
Importa efetivamente saber a que distância estamos da decência esperada, tão ansiada, e o que estamos a fazer para garantir que ela ainda se alcance.
A glória de ABRIL só pode ser destruída pela incúria dos imbecis. Apenas quem não entende o mais elementar da vida pode desentender a conquista da democracia e toda a a aspiração à liberdade e à igualdade. É a imbecilidade, para não dizer crime, que destrói o estado de direito social, não é a economia. A economia tem de ser um instrumento, não pode ser um fim. A democracia tem de ser um fim, não pode ser um instrumento. O levantamento da humanidade acima da miséria material e espiritual e do abandono tem de ser o centro de todas as coisas.
Sabemos bem que a arte, para o criador e para quem dela usufrui, é a forma de implicação. Ela procura a incapacidade à indiferença. Ela impede a indiferença.

Valter Hugo Mãe
JL

ECOLOGIA

A democracia é também um processo de aprendizagem colectivo.
A opinião não é, como algumas interpretações radicais do platonismo sustentam, o oposto do conhecimento, mas um campo de batalha de argumentos e  emoções, que o podem favorecer.
Sobretudo se o que está em causa é mudar as raízes do modo como habitamos o mundo.

Viriato Soromenho Marques
JL

MIA COUTO

Entre a prosa e o verso , o incêndio ...

Terceiro Mundo

Chegou a dádiva.
Pairou a dúvida.
Cresceu a dívida.

Carpintaria

Troco nervo
por nervura.

Destroco
corpo
por madeira.

O sangue,
vegetal,
em seiva
ascende até ser pétala.

No latejar da gota
vou
de árvore
para tábua.

Vagas e Lumes

Há quem se deite
em fogo
para morrer.

Pois eu sou
como o vagalume.
- Só existo
quando me incendeio.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

O RETORNO


EU
Pepedrópo
Para mim desde já um muito obrigado, por tudo, pela sensibilidade, pelo forma mágica de contar como foi, mesmo que romanceado, brilhante, O RETORNO, fala de mim, indirectamente, fala de milhares de pessoas que se viram perdidas, expulsas da terra onde constituíram família, e rejeitadas ao regressar à terra onde nasceram...
Obrigado, cada vez tenho mais a certeza que as palavras existem na vida para me salvar, para elevarem a minha existência para um local onde tudo faz sentido ...
Recomendo a todos o livro, mais aos que percebem e viveram na pele a história que o romance retrata, termino com uma pequena frase do livro:

EU ESTIVE AQUI ...


Plano Nacional de Leitura
Livro recomendado para o Ensino Secundário como
sugestão de leitura.
Também recomendado para a Formação de Adultos,
como sugestão de leitura - Grau de Dificuldade III.


Críticas de imprensa

«(...) uma precisão narrativa e uma clareza de estilo
absolutamente admiráveis.»
José Mário Silva, Ler

«Dulce Maria Cardoso, provavelmente a mais importante
escritora da sua geração, publica O Retorno, o primeiro caso sério
de reflexão literária sobre os 500 mil retornados que aterraram
em Portugal em 1975.
Embora a escritora, vinda de Angola, fosse um deles,
isto não é “um ajuste de contas” com o passado.
Mas talvez seja um ajuste de contas com a obra dela.»
José Riço Direitinho, Público

«Há quem a considere uma autora genial. (...) Os seus livros têm tido
mais fortuna fora de Portugal, tanto em edições estrangeiras
como na atribuição de um prémio europeu de literatura.
O quarto romance poderá aproximá-la de um público mais vasto.
Desde logo pelo tema. O Retorno narra a saga dos 600 mil 
portugueses que regressaram de África em situações
dramáticas depois do 25 de Abril.»
Carlos Vaz Marques, Ler


O Retorno de Dulce Maria Cardoso

domingo, 19 de outubro de 2014

EMBONDEIRO URBANO



A espera é longa, multiplicam-se as horas
e de uma previsão simples nasce uma preocupação
resta saber a causa, como irá terminar
qual a receita adequada ...

Mas em simultâneo vive-se o " CIRCO "
patético, constitucional, verdadeiros palhaços
sem pinturas, nem sapatos gigantes
com a agravante, não têm graça, nem um pingo de graça ...

Na sala vazia, a TV aos altos berros insiste
e o ser insiste no quadrado em não ouvir
ruído, sons  que ninguém pediu
mas ecoam com o auxilio do volume ...

Analistas, trapezistas, gravatas e homens,
outrora com dom da palavra, hoje
e provavelmente amanhã sem importância
tal como a TV na sala vazia, morta de relevância ...

E faz -se uma pausa, toca a sirene
hora de intervalo, todos correm
para o mesmo local, lutando pelas mesmas
pratas, lugares, focos, com muito pouco pouco para dizer ...

Já chega, já são linhas a mais
para dizer o que todos vêm, mas não querem ver
é pena, mas a mudança exige
uma accção em massa, na mesma direção ...

O mundo, ou os nossos dias podiam ser;
Ser ; Mais harmoniosos , mas só a guerra
impulsiona mudança, rápida, urgente
na tentativa de venerar a dádiva o conhecimento ...

Mas é difícil discutir desconhecendo o respeito
assim como é difícil lutar sem estratégia,
treino, o teatro real não vive só,
só de monólogos, de diálogos, iluminam-se os discursos ...

Cabe a todos o direito e o dever
de querer, saber, ler, escrever
navegar, evoluir com o conhecimento
extraindo dessa relação a mutua aprendisagem ...

Aquilo que corre nas nossas veias
são rios, mares, histórias
a pele o seu diário, o corpo em geral
o seu cofre, sem chave especial, aberto ...

Que por vezes vagueia desimulado
mascarado, disfarçado de tudo, menos
de si próprio, mas detetado, mais não seja
no dia do juízo final ...

E todos temos contas, praso, dias
arrumações, agrupamentos, em que
se elege o que fica no topo e na base
da massa, de todos, piramide, a casa ...

A casa é tudo menos matéria morta
pedra, cimento, vidro, fibras
antes sim, memória, valores, família
laços, momentos que viajam sempre com o individuo ...

A esperança nunca será um condomínio fechado,
ou conta bancária em paraíso fiscal
muito menos um jogo de sorte,
pulverizando azar, à esperança ...

Será vontade de mudança, eterna sensação
de desconforto, com a comodidade, egoista,
ou o seu irmão gemeo, o consumo desenfreado
espírito de bombeiro voluntário cercado pelas chamas ...

Raptos de desabafos, mensagens perdidas
infinitas marcações, toques, somos aquilo
que sentimos, e fazemos, transformamos
em término somos um " universo " a descobrir ...

Pepedrópo

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

SORRISOS



Sorrir tornou-se raridade
a tristeza apoderou-se das almas
como a fome mata quem
muito quer um prato de comida,
mas em agonia morre por não ter ...
Sorrir, quem diria, é tão
estranho que perante a alegria de um sorriso
já se olha com desconfiança
estará no seu perfeito juízo;
Soltem sorrisos como quem
solta balões ao vento, ou dança à
chuva sem se importar com
o encolher das roupas molhadas,
pois asim certamente o amanhã será
melhor mais brilhante, mesmo em dias chuvosos
o encanto e naturalidade do gesto
simples trará o sol para os
nossos dias ...

pepedópo

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

AMOR



 Para quem não percebe
e primeiro critica e inveja
até para ser feliz o ser HUMANO
tem de lutar.
Lutar pela felicidade é abrir as portas
ao amor ... Até que a morte nos separe ...

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

FRASES LIDAS



Um homem pertence ao sítio que lhe dá de comer a não ser que tenha um coração ingrato.

O RETORNO
Dulce Maria Cardoso



Felizes eram os que aceitavam ser o que podiam, haviam de ao menos aceder à estabilidade, saber com o que contar, ter as contas feitas acerca dos afectos a das expectativas.
Amar uma pessoa é o destino do mundo.
Os filhos são modos de estender o corpo  e aquilo a que se vai chamando alma. São como continuarmos por onde já não estamos e estarmos, porque ansiamos e sofremos mais pelos filhos do que por nós próprios, assim como nos reconfortam mais as alegrias deles do que a satisfação que directamente auferimos por isso temos gula pelos filhos, uma gula dos absurdos .


Filho de Mil Homens
Valter Hugo Mãe